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A Batalha do sono…..Rosely Sayão

A batalha do sono
Assim que nasce um bebê, os pais já sabem o que lhes espera: ter de acordar durante a noite

Ah, temos feito tantas confusões com os mais novos! Ensinamos a eles o que eles ainda não precisam saber ou o que ainda não têm condições de entender, e não permitimos que aprendam e experimentem muitas coisas que deveriam ter a chance de conhecer, por exemplo.
Vamos tomar um exemplo bem simples que trata de bebês ou de crianças bem pequenas: o sono. São poucos os pais com filhos com até cinco anos, mais ou menos, que não travam verdadeiras batalhas por causa do sono, ou melhor, da falta de sono das crianças.
Sono picado, pesadelo, fome, desejo de ficar ao lado do pai ou da mãe etc.: tudo conspira para que os pais não consigam dormir a noite inteira e arquem com cansaço, irritação, estresse e outros males no dia seguinte. Vamos conversar sobre o sono das crianças, então.
Assim que nasce um bebê, os pais já sabem o que lhes espera: ter de acordar durante a noite. E, no início, acordam sem reclamar porque sabem que isso faz parte do pacote de ter um filho. O bebê quer mamar, a fralda suja o incomoda ou outra coisa qualquer é motivo para o bebê chorar. Chamar quem o atenda.
E, em geral, a mãe o atende de pronto. É que, nesse início de uma nova vida familiar –não importa se é o primeiro filho ou não– a vida é um turbilhão de trabalho braçal e de intensas emoções. “Será que o bebê está bem? Será esse choro de dor ou de fome? Acho que esse bebê é manhoso. Devo pegar no colo ou vou deixá-lo mal-acostumado?”
Todos os dias, as mães se fazem essas e outras dezenas de perguntas. Elas estão aprendendo a interpretar o choro do bebê e não têm certeza de nada. Têm receios, angústias, inseguranças. E delícias também, é claro. E é por isso, principalmente, que atendem ao chamado do bebê imediatamente.
Acontece que também o bebê está aprendendo a viver num mundo bem diferente do que viveu anteriormente, totalmente protegido e assistido sem ter de nada fazer. Ele está aprendendo, inclusive, a se conhecer. Não do modo que nos conhecemos, é claro, mas é o início de um autoconhecimento.
E é assim, sendo atendido sempre de imediato quando chora, que ele aprende, por exemplo, que precisa da mãe sempre que acordar. Mas ele nem sempre precisa. Por isso, é bom lembrar que criança, mesmo ainda bebê, não é de cristal. Ele não vai se quebrar com o próprio choro ou grito.
Deixar o bebê chorar um pouco antes de atendê-lo não faz mal: permite que ele volte a dormir, se for o caso, ou que continue a chamar pela mãe até que ela apareça. E isso faz com que o bebê não perca sua autonomia de sono, que perceba que pode acordar e dormir sem precisar de ajuda. Quantos de nós acordamos no meio da noite e voltamos a dormir em seguida? Isso pode acontecer com o bebê também.
Claro que isso não significa abandonar o bebê ou a criança um pouco maior chorando desesperadamente, como recomendam alguns manuais. Essa conduta vale para crianças que já aprenderam a ir para a cama dos pais no meio da noite.
Mesmo assim, mães e pais com crianças pequenas precisam lembrar que o sono nos primeiros anos de vida é inconstante mesmo: o filho pode voltar a acordar no meio da noite a qualquer momento. A boa notícia é que os filhos crescem e, portanto, as questões que os pais precisam enfrentar mudam.

O medo de palhaço

Nossa semana da criança está muito divertida e colorida. Sempre que trabalhamos o Circo o sucesso com as crianças é garantido. Como algumas crianças tem medo de palhaços, pensamos nisso também ao montar os shows. Cada professor extra  foi se fantasiando perto das crianças e permitindo que eles observassem que não precisava ter medo. O trabalho foi muito bom. Hoje é o dia do Carequinha, Tio  Nagem fará o show e as ensinará as crianças a usar perna de pau. Compramos algumas para deixar na C have.  Essa semana foi tudo de bom !!!!

Segue um texto bem interessante sobre a crianças e o Medo de palhaços….

Pavor a palhaço: isso é normal?
O medo na infância é natural e faz parte do desenvolvimento da criança. Cada pequeno tem suas fantasias e seus medos que, normalmente, são transitórios. Basta ter a segurança e apoio de um adulto que seja confiável à criança.
Digo isso porque certamente você já notou que a presença de um palhaço às vezes causa reação adversa nas crianças. Ao invés de alegria, ele causa espanto nas crianças, que não consegue traduzir o que o nobre folião tenta transmitir a elas.
O palhaço pode ser interpretado como um “ser estranho” para a criança entre 4 e 6 anos de idade. Para esses pequenos, o palhaço não é uma pessoa e sim uma “coisa” anormal, que tem o rosto todo pintado, roupas espalhafatosas, e atitudes diferentes de tudo que já conheceu.
Por ser tão controverso no imaginário do queridinho da família, o palhaço é uma das figuras que mais amedrontam, assim como o Papai Noel, já que o pequeno pode ligar o palhaço a um bicho-papão, entre outros seres “invasores”.
É importante ressaltar que crianças sentem mais medo porque conhecem menos. Diante de tudo o que é desconhecido e novo, um certo temor aparece. Essa apreensão passa ela começa a conhecer melhor esse tal “ser diferente”.
Como ver um palhaço sem receio? – Contar histórias, não forçar a criança a enfrentar um palhaço ou um Papai Noel são atitudes que contam muito na hora da criança superar esse receio. Se a criança chorar ao fica no colo de um animador infantil, tire a do colo.
Conforme vão conhecendo o que são essas figuras, conseguem identificá-las como figuras humanas. Conseqüentemente, vão perdendo o medo e passarão a dar boas risadas dos personagens.
A criança está começando a encher sua caixinha de experiências, vivenciando a vida e tudo o que é diferente oferece perigo e por isso dá medo. E o adulto entra com a participação de mostrar para a criança que aquela experiência nova não é perigosa e por isso não precisa sentir medo.
São fases – Cada fase tem os seus medos e a criança sempre troca um medo por outro. Até um ano de idade, os pequenos têm medo de perder a mamãe. Quando a mãe sai do alcance da visão da criança esta fica apavorada achando que a mamãe desapareceu para sempre.
Os bebês não têm a chamada “permanência de objeto”, quando sabemos que quando uma pessoa vai ao banheiro ela não desaparece, ela ainda existe. Para os bebês, a pessoa simplesmente desaparece e não existe mais, por isso ficam com medo.
As crianças acima de dois anos têm medo de fatores climáticos ou animais, tem medo do que é concreto e não do abstrato. Tente explicar o que acontece num dia de vento e leve-a para brincar na chuva. Não fale que todo cachorro morde, assim a criança ficará com medo só de olhar para um. Explique que tem cachorros bravos e deixe-a passar a mão num bem mansinho.
Os pais também passam medo aos filhos. A dura realidade dos dias de hoje como violência e seqüestros fazem com que os pais apavorados passem insegurança para os seus filhos que, vivendo nesse ambiente, não conseguem enfrentar os medos que aparecem na sua vida.
Temos que ensinar os filhos a lidar com toda essa realidade intranqüila, mas oferecendo meios para as crianças lidarem com os problemas e medos e não somente apavorá-los.
Os pais devem passar muito amor e segurança para que a criança perceba que seus medos são pura fantasia e não fazem parte da realidade e que podem encará-los. O palhaço está ali para divertir e o Papai Noel para festejar o natal.
Todos os medos são normais e naturais desde que não interfira no dia-a-dia da criança, como alimento, sono e convívio social. Se algo parecido acontece, o melhor é buscar ajuda profissional. 
Dicas
Os pais são os super-heróis das crianças e por isso podem fazer com que qualquer medo da criança seja superado. Não force a criança a curtir a uma festa animada por palhaço. Se ela não curtir, procure outra animação.
Contar histórias antes de dormir, deixar uma luz acesa no quarto e não desvalorizar o medo da criança são atitudes que ajudam a criança.
Não deixe seu filho dormir no seu quarto quando estiver com medo, somente tente explicar que seu medo não tem motivo e fique com a criança no próprio quarto.

Quando a escola é de vidro !!!

Quando a escola é de vidro

Ruth Rocha


Naquele tempo eu até que achava natural que as coisas fossem daquele jeito.
Eu nem desconfiava que existissem lugares muito diferentes…
Eu ia pra escola todos os dias de manhã e quando chagava, logo, logo, eu tinha que me meter no vidro.
É, no vidro!
Cada menino ou menina tinha um vidro e o vidro não dependia do tamanho de cada um, não!
O vidro dependia da classe em que a gente estudava.
Se você estava no primeiro ano ganhava um vidro de um tamanho.
Se você fosse do segundo ano seu vidro era um pouquinho maior.
E assim, os vidros iam crescendo á medida em que você ia passando de ano.
Se não passasse de ano era um horror.
Você tinha que usar o mesmo vidro do ano passado.
Coubesse ou não coubesse.
Aliás nunca ninguém se preocupou em saber se a gente cabia nos vidros.
E pra falar a verdade, ninguém cabia direito.
Uns eram muito gordos, outros eram muito grandes, uns eram pequenos e ficavam afundados no vidro, nem assim era confortável.
Os muitos altos de repente se esticavam e as tampas dos vidros saltavam longe, ás vezes até batiam no professor.
Ele ficava louco da vida e atarrachava a tampa com força, que era pra não sair mais.
A gente não escutava direito o que os professores diziam, os professores não entendiam o que a gente falava…
As meninas ganhavam uns vidros menores que os meninos.
Ninguém queria saber se elas estavam crescendo depressa, se não cabia nos vidros, se respiravam direito…
A gente só podia respirar direito na hora do recreio ou na aula de educação física.
Mas aí a gente já estava desesperado, de tanto ficar preso e começava a correr, a gritar, a bater uns nos outros.
As meninas, coitadas, nem tiravam os vidros no recreio. e na aula de educação física elas ficavam atrapalhadas, não estavam acostumadas a ficarem livres, não tinha jeito nenhum para Educação Física.
Dizem, nem sei se é verdade, que muitas meninas usavam vidros até em casa.
E alguns meninos também.
Estes eram os mais tristes de todos.
Nunca sabiam inventar brincadeiras, não davam risada á toa, uma tristeza!
Se a gente reclamava?
Alguns reclamavam.
E então os grandes diziam que sempre tinha sido assim; ia ser assim o resto da vida.
Uma professora, que eu tinha, dizia que ela sempre tinha usado vidro, até pra dormir, por isso que ela tinha boa postura.
Uma vez um colega meu disse pra professora que existem lugares onde as escolas não usam vidro nenhum, e as crianças podem crescer a vontade.
Então a professora respondeu que era mentira, que isso era conversa de comunistas. Ou até coisa pior…
Tinha menino que tinha até de sair da escola porque não havia jeito de se acomodar nos vidros. E tinha uns que mesmo quando saíam dos vidros ficavam do mesmo jeitinho, meio encolhidos, como se estivessem tão acostumados que até estranhavam sair dos vidros.
Mas uma vez, veio para minha escola um menino, que parece que era favelado, carente, essas coisas que as pessoas dizem pra não dizer que é pobre.
Aí não tinha vidro pra botar esse menino.
Então os professores acharam que não fazia mal não, já que ele não pagava a escola mesmo…
Então o Firuli, ele se chamava Firuli, começou a assistir as aulas sem estar dentro do vidro.
O engraçado é que o Firuli desenhava melhor que qualquer um, o Firuli respondia perguntas mais depressa que os outros, o Firuli era muito mais engraçado…
E os professores não gostavam nada disso…
Afinal, o Firuli podia ser um mal exemplo pra nós…
E nós morríamos de inveja dele, que ficava no bem-bom, de perna esticada, quando queria ele espreguiçava, e até mesmo que gozava a cara da gente que vivia preso.
Então um dia um menino da minha classe falou que também não ia entrar no vidro.
Dona Demência ficou furiosa, deu um coque nele e ele acabou tendo que se meter no vidro, como qualquer um.
Mas no dia seguinte duas meninas resolveram que não iam entrar no vidro também:
- Se o Firuli pode por que é que nós não podemos?
Mas Dona Demência não era sopa.
Deu um coque em cada uma, e lá se foram elas, cada uma pro seu vidro…
Já no outro dia a coisa tinha engrossado.
Já tinha oito meninos que não queriam saber de entrar nos vidros.
Dona Demência perdeu a paciência e mandou chamar seu Hermenegildo que era o diretor lá da escola.
Seu Hermenegildo chegou muito desconfiado:
- Aposto que essa rebelião foi fomentada pelo Firuli. É um perigo esse tipo de gente aqui na escola. Um perigo!
A gente não sabia o que é que queria dizer fomentada, mas entendeu muito bem que ele estava falando mal do Firuli.
E seu Hermenegildo não conversou mais. Começou a pegar os meninos um por um e enfiar á força dentro dos vidros.
Mas nós estávamos loucos para sair também, e pra cada um que ele conseguia enfiar dentro do vidro – já tinha dois fora.
E todo mundo começou a correr do seu Hermenegildo, que era pra ele não pegar a gente, e na correria começamos a derrubar os vidros.
E quebramos um vidro, depois quebramos outros e outros mais. Dona Demência já estava na janela gritando – SOCORRO! VÂNDALOS! BÀRBAROS!
(pra ela bárbaro era xingação).
Chamem o Bombeiro, o exército da Salvação, a Polícia Feminina…
Os professores das outras classes mandaram cada um, um aluno para ver o que estava acontecendo.
E quando os alunos voltaram e contaram a farra que estava na 6° série todo mundo ficou assanhado e começou a sair dos vidros.
Na pressa de sair começaram a esbarrar uns nos outros e os vidros começaram a cair e a quebrar.
Foi um custo botar ordem na escola e o diretor achou melhor mandar todo mundo pra casa, que era pra pensar num castigo bem grande, pro dia seguinte.
Então eles descobriram que a maior parte dos vidros estava quebrada e que ia ficar muito caro comprar aquela vidraria tudo de novo.
Então diante disso seu Hermenegildo pensou um pocadinho, e começou a contar pra todo mundo que em outros lugares tinha umas escolas que não usavam vidro nem nada, e que dava bem certo, as crianças gostavam muito mais.
E que de agora em diante ia ser assim: nada de vidro, cada um podia se esticar um bocadinho, não precisava ficar duro nem nada, e que a escola agora ia se chamar Escola Experimental.
Dona Demência, que apesar do nome não era louca nem nada, ainda disse timidamente:
- Mas seu Hermenegildo, Escola Experimental não é bem isso…
Seu Hermenegildo não se pertubou:
- Não tem importância. A gente começa experimentando isso. Depois a gente experimenta outras coisas…
E foi assim que na minha terra começaram a aparecer as Escolas Experimentais.
Depois aconteceram muitas coisas, que um dia eu ainda vou contar…


Filhos são do Mundo

Segue um texto bem bonito que a Vivi mãe da Isabella nos enviou…

 

Filhos são do mundo (José Saramago)
Devemos criar os filhos para o mundo. Torná-los autônomos, libertos, até
de nossas ordens. A partir de certa idade, só valem conselhos.
 
Especialistas ensinaram-nos a acreditar que só esta postura torna adulto
aquele bebê que um dia levamos na barriga. E a maioria de nós pais
acredita e tenta fazer isso. O que não nos impede de sofrer quando fazem
escolhas diferentes daquelas que gostaríamos ou quando eles próprios
sofrem pelas escolhas que recomendamos.
 
Então, filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de
como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores
defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter
coragem. Isto mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém
pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da
incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado..
 
Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo! Então,
de quem são nossos filhos? Eu acredito que são de Deus, mas com respeito
aos ateus digamos que são deles próprios, donos de suas vidas, porém, um
tempo precisaram ser dependentes dos pais para crescerem, biológica,
sociológica, psicológica e emocionalmente.
 
E o meu sentimento, a minha dedicação, o meu investimento? Não deveriam
retornar em sorrisos, orgulho, netos e amparo na velhice? Pensar assim é
entender os filhos como nossos e eles, não se esqueçam, são do mundo!
Volto para casa ao fim do plantão, início de férias, mais tempo para os
fllhos, olho meus pequenos pimpolhos e penso como seria bom se não
fossem apenas empréstimo! Mas é. Eles são do mundo. O problema é que meu
coração já é deles.
 
Santo anjo do Senhor…
 
É a mais concreta realidade. Só resta a nós, mães e pais, rezar (orar) e
aproveitar todos os momentos possíveis ao lado das nossas ‘crias’, que
mesmo sendo ‘emprestadas’ são a maior parte de nós!!!
 
“A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver.”
 
José Saramago